Histórico

Num contexto totalmente incerto, chegaram em Mamborê, Irmã Demétria Fialka e Irmã Metódia Boguch (in memoria). Estavam atendendo um pedido de lideranças da comunidade Católica Ucraniana Sant’Ana. O padre que visitava Campo mourão vinha de Pitanga e levou o recado a hierarquia da Ordem que famílias ucranianas de Mamborê manifestavam o desejo de ter religiosas conduzindo a igreja dentro do rito ucraniano. Também como as famílias eram numerosas, havia crianças sem catequese, jovens analfabetos e que longe de Prudentópolis, sentiam falta da continuidade e da tradição viva ucraniana.

Irmã Demétria Fialka e Irmã Metódia Boguch (in memoria), em caráter provisório foram instaladas em uma residência montada com donativos dos ucranianos em 1964. Os mesmos mantinham as Servas partilhando tudo que tinham, produziam ou colhiam. A igreja situada na rua Guadalajara desativada, foi aberta e os trabalhos iniciados. A língua ucraniana era a linguagem predominante na comunidade. Paralelo a prática religiosa, danças, teatros, marchinhas, declamações, canções eram ensaiadas e apresentados em datas festivas. O objetivo era manter a religiosidade deste povo praticante na fé, as tradições e a cultura viva sem dispersar ou deixar cair no esquecimento das gerações vindouras. Também era preciso aprender a língua portuguesa. Em 1965, os jovens, as crianças foram convidados para serem alfabetizados. Novamente o improviso começou a alfabetização, sala única(numa residência) e de todas as idades. A leitura e a escrita da língua portuguesa entre os descendentes de ucranianos chamou a atenção e outras famílias passaram a procurar e ter interesse. Já observando a acolhida das irmãs pela comunidade local, veio a carta definindo que as duas estariam fixadas e que mais duas irmãs para o próximo ano viriam. Autoridades municipais locais ouviram o pedido das lideranças ucranianas e comprometidos doaram o terreno atual e as obras foram iniciadas. Em 1967 a morada, as salas e a lida para produzir o que iria ser consumido foi inaugurado o Educandário Nossa Senhora de Fátima. Em 1968 foi concluído os três pisos da construção totalmente em madeira de lei (araucária), estavam prontas outras salas de estudo, artesanato e costura, refeitório, dormitório, depósito, almoxarifado, capela, biblioteca entre outras. Num amplo jardim e extensa horta, borboletas, pássaros e muita gente bonita circulavam e ocupavam as dependências da escola como alunos internos, semi-internos ou moradores da cidade. A escola funcionava grande, bonita, atendendo as perspectivas de quem a procurava.

Foram trabalhos de muita luta, de lideranças ucranianas da comunidade, em visita as pessoas bem estabelecidas entre católicos, evangélicos, adventistas para angariação de pinheiros e muitas promoções para custeio de toda obra que foi totalmente construída com recursos da localidade de Mamborê. Todos os aplausos merecidos, embora grande parte hoje só in memória jamais poderão ser esquecidos.

Além do ensino regular, havia aulas de bordado, artesanato, muitas cores em arco-íris e flores, com quadriculados e motivos ucranianos estavam estampando as paredes nas exposições sempre muito visitada a qual atraía compradores e agradavam os olhos da população visitante.

O povo ucraniano, na sua grande maioria era desprovido de bens materiais, viviam sem recursos financeiros e sem apoio de políticas públicas ou ONGS. Não oportunizados de locais e áreas para cultivo ou outro tipo de trabalho, não viam futuro em permanecer em Mamborê, apesar da união e ajuda mútua. Providos de simplicidade, honestidade, humildade foram capinar ou trabalhar como carpinteiros em outros lugares. Alguns regressavam à Prudentópolis onde deixaram seus conterrâneos. Assim a população ucraniana diminuiu significativamente. Não havia porque sonhar com amplas instalações para lazer, aulas, danças, biblioteca e artesanato ucraniano. Assim sendo o terreno onde hoje é o Centro de Saúde ficou ocioso e mais tarde em concordância com os membros da comunidade foi devolvido para o poder municipal.

Méritos, doações, progresso, comprometimento, disciplina, cultura, aprendizado e valores...até hoje são enaltecidos por aqueles que pela Escola Nossa Senhora de Fátima passaram.

Hoje no glamour ou na simplicidade, sem julgar, comparar ou fantasiar história de fatos ocorridos na época, fazem parte de um período cultural muito austero, mas que por excelência fizeram a diferença às pessoas que reconhecem a transformação. Não basta semear para colher, é preciso adubar, regar, desbrotar... Já nos meados da década de 80 foram aprovadas as leis que impediam para segurança e qualidade de vida a continuidade do funcionamento da escola nos moldes antigos. Foi necessário desativar, demolir e reestruturar, mas esquecer este período jamais.

E assim a história segue escrita nos dias de hoje. Repaginada a Escola Nossa Senhora de Fátima está com amplas, modernas e bonitas instalações, correspondendo aos anseios daqueles que apostam no ensino aprendizagem deste estabelecimento. Tendo como finalidade principal, ministrar educação e ensino formal e informal, de acordo com as leis vigentes, sob a inspiração dos valores e dos princípios cristãos e filosóficos. Profissionais da Educação preparados e em constantes cursos na busca pelo conhecimento são contemplados e capacitados, visando um trabalho de planejamento conjunto, conscientes e convictos dos desafios atuais assumem formar a grande família do ENSF, juntos, se comprometem a desempenhar a nobre tarefa de educar, sentindo-se corresponsáveis pela formação e pela qualidade de ensino.